domingo, 1 de novembro de 2015

Direito ao Respeito

Eu não tinha noção, mas me parece que 11 em cada 10 mulheres já sofreram algum tipo de abuso, assédio ou violência. Infelizmente, seja por medo, vergonha, culpa ou sei lá que, apenas uma pequena parcela tem a coragem de falar sobre/tornar público/denunciar.

Mas essa realidade está mudando. Nas redes sociais - e na internet de uma maneira geral - um número crescente de mulheres tem abordado o assunto e encorajado outras mulheres a fazer o mesmo, formando uma espécie de corrente de solidariedade.

A redação do Enem 2015 também ajudou bastante. O tema "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira" fez com que que jornais e programas de televisão (talvez de rádio também, mas praticamente não ouço rádio) abrissem espaço em sua grade para falar de coisa tão séria e que passa(va) tão despercebida em uma sociedade ainda muito machista.

Nessa sociedade machista até bem pouco tempo atrás era normal:

#Na balada:
   * agarrar a mulher pelo braço impedindo que ela passe, afim de conseguir um beijo;
   * puxar a mulher pelo cabelo e beija-la forçosamente;
   * ignorar um "toco" e continuar insistindo para ficar com a mulher, se tornando inconveniente;
   * xingar a mulher de puta, piranha, vadia, cachorra, filha da puta etc só por ter levado "toco";
   * "encoxar"/roçar/passar a mão na mulher enquanto ela dança;
   * falar obscenidades "gratuitamente" ao pé do ouvido;
   * cantadas toscas (ou não);
   * se aproveitar da mulher por ela estar bêbada;
   * tirar fotos/filmar escondido de bundas, pernas, decotes, por baixo da saia, etc;
   * olhar agressivamente para decote, pernas, shorts, calças justas, etc;

#No transporte público:
   * passar com a genitália na mão ou no ombro ou no rosto da mulher;
   * tirar fotos/filmar escondido de bundas, pernas, decotes, por baixo da saia, etc;
   * olhar agressivamente para decote, pernas, shorts, calças justas, etc;
   * falar obscenidades "gratuitamente" ao pé do ouvido;
   * fungar, lamber, soprar, beijar o pescoço;
   * "encoxar", roçar, passar a mão;
   * cantadas toscas (ou não);

#Na rua:
   * tirar fotos/filmar escondido de bundas, pernas, decotes, por baixo da saia, etc;
   * olhar agressivamente para decote, pernas, shorts, calças justas, etc;
   * falar obscenidades "gratuitamente" ao pé do ouvido;
   * seguir, perseguir, intimidar;
   * cantadas toscas (ou não);

Essa mesma sociedade também produz o que se chama hoje de culpabilização da vítima. Onde o ônus da culpa cabe a vítima e não ao agressor. Infelizmente é muito comum ainda escutar que a culpa é mulher, pois:

  - estava com uma roupa muito curta;
  - estava andando sozinha por uma rua deserta;
  - quem mandou ela beber;
  - se estivesse em casa lavando louça isso não aconteceria;
  - também, se veste igual uma puta (esse pra mim é o pior de todos, como se putas não merecessem respeito);
  - isso que dá andar sem homem;

Enfim, essas são apenas algumas situações que tentam ilustrar o que se passa no dia-a-dia. Com certeza tem muitas e muitas mais.


Aqui abaixo segue um vídeo - que para mim foi de reflexão e conhecimento.




https://www.youtube.com/watch?v=0Maw7ibFhls

Ele me fez pensar que eu posso fazer alguma coisa a respeito. Ainda que seja compartilhar informações na timelime do facebook e conscientizar amigos/conhecidos sobre a maneira como agem em relação as mulheres e as marcas/traumas psicológicos que seus atos podem causar.

Creio que precisamos abordar mais o tema e entender que a violência contra a mulher não é apenas agressão física ou estupro. Temos também que aprender e entender que uma roupa curta não é um convite a uma cantada, que andar por uma rua pouco movimentada não significa querer ser estuprada, que um coletivo cheio não dá direito de "encoxar" ninguém, que um não deve ser entendido com um não e etc.

Mulheres não são objetos, são pessoas. E como todas as pessoas elas também têm DIREITO AO RESPEITO.

*alguns links que me ajudaram a compreender um pouquinho melhor o tema
http://thinkolga.com/
http://www.azmina.com.br
http://drauziovarella.com.br/para-as-mulheres/a-cultura-do-estupro/
http://www.vilamulher.com.br/sexo/como-combater-a-cultura-do-estupro-10457.html
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150917_cultura_estupro_sociedade_rm


** Em tempo: sei que meu texto é raso e leviano, e peço perdão por isso, mas por mais que eu me esforce sei que nunca conseguirei compreender o que vocês mulheres passam praticamente todo santo dia e desde que eram ainda crianças. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A culpa não é minha, eu não votei na Dilma.

Ultimamente tenho visto, muito, em carros, adesivos com a frase que titula esse post e confesso que isso tem me incomodado um pouco.

Não, eu não votei  na Dilma e nem sou simpatizante do PT. Ah! nem tampouco votei no Aécio.

Mas o que me incomoda é que essa frase me soa como deboche, como se ao se eximir da culpa de ter (re)eleito a Presidente fosse tornar as coisas melhores.

Fico imaginando situações como:

1) Posto de Gasolina
    - Atendente: Completa doutor?
    - Eleitor: Não, não, gasolina está muito cara, completar é ostentação.
    - Atendente: O senhor votou na Dilma?
    - Eleitor: Na Dilma? Não, eu não.
    - Atendente: Então relaxa doutor, quem não votou na Dilma paga mais barato.

ou

2) Conta de Luz
    - Consumo mensal = R$200,87
    - Adicional de bandeira vermelha = R$ 21,58
    - Desconto para quem não votou na Dilma = 72%

ou

3) Casa de Câmbio
    - Eleitor: - Oi, gostaria de comprar uns dólares.
    - Atendente: Pois não senhor, a cotação hoje está US$ 1 = R$ 4,487
    - Eleitor: Mas eu não votei na Dilma...
    - Atendente: Ah! nesse caso o US$$ 1 = R$2,203


Sabe, eu também olho para a Presidente e suas escolhas e fico revoltado com os excrementos que disso resultam e da maneira como nos afeta, a todos, não importando se votamos ou não no PT; e como afeta - de maneira muito desigual - aqueles que estão no poder (na Alvorada, na Esplanada, na Granja, no Senado, na Câmara, etc).

Então, penso que ao invés desse adesivo com tom soberbo e debochado, poderíamos deixar a rivalidade partidária de lado e nos unirmos para, de alguma maneira, ajudar o país a atravessar esse momento difícil e (re)tomar os rumos de crescimento. Se cada um fizer, individualmente, sua parte, acredito que no coletivo, na soma, podemos sim fazer a diferença e ajudara mudar o Brasil para que ele seja, em aspectos positivos, cada vez mais parecido com aqueles países que tanto invejamos.

domingo, 27 de setembro de 2015

Escrever...

Escrever.
Parece fácil depois de pronto, mas até lá dá um imenso trabalho.
Inspiração ajuda, e muito. Mas isso só quando ela vem.
Quando não vem, tem que transpiração mesmo.

Escreve uma linha e apaga duas.
Pensa num tema, mas a história te leva para outro.
Apaga tudo, deleta total.
Está uma porcaria.

E agora, vamos de novo?
Ainda bem que não tem prazo.
Se a corda estivesse no pescoço, eu já estaria enforcado.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Um poema de amor...

Eu queria escrever um poema de amor, para expressar meu sentimento, mas acho que não sou muito bom com as palavras. Queria escrever como um Cazuza, um Renato Russo, um Vinícius de Moraes, um Chico Buarque e até mesmo como um Caetano Veloso ou um Roberto Carlos. Talvez um Djavan, um Marcelo Camelo, um Carlos Drummond... Enfim, são tantos os que escrevem com maestria sobre o amor que poderia facilmente preencher essas linhas somente com nomes de poetas.

Mas eu não tenho esse dom, esse poder de harmonizar as palavras de maneira melodica e vistosa para falar daquela de quem tanto gosto, seja numa bela poesia ou em forma de música, que é a palavra cantada. Mas acho que consigo, ao menos, falar com o coração. Saem coisas meio disformes, palavras sem rima e versos sem métrica, mas talvez isso nem interesse tanto assim.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Li no blog "Infinitas Possibilidades"

Sonhe com aquilo que você quiser. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida, e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce, dificuldades para fazê-la forte, tristeza para fazê-la humana e esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram, para aqueles que se machucam, para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas. O futuro mais brilhante baseado num passado intensamente vivido. Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. A vida não é de se brincar, porque um belo dia se morre. 

Clarisse Lispector

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Será que é sempre assim?

Será que é sempre assim tão dificil fazer uma pessoa acreditar no quanto você gosta dela?
Flores, palavras, declarações, gestos, atos, cesssões e concessões e até mesmo algumas vezes abrir mão de suas opiniões. Tudo isso não basta, não tem bastado. Preciso de ainda mais, preciso de algo que eu ainda vou conseguir encontrar, não importa onde esteja, não importa quanto tempo vai levar e também não importa o quão difícil seja para conseguir isso,  mas nem que seja a última coisa que eu faça em vida, vou conseguir encontrar esse algo. E se não conseguir encontrar em vida mesmo no pós morte eu continuarei buscando. Mas algum dia ela ainda vai ter a mais pela certeza do quanto eu gosto dela.


Eu gosto de você com suas fases e suas crises, sua carência e sua independência, sua empolgação e sua preguiça, suas diretas e indiretas, sua sensibilidade e sua grosseria, seu cabelo longo, seu cabelo curto, sua maquiagem e sua cara limpa, seu deboche e sua sinceridade, seu jeans e havaianas, seu short e sapatilha, seu sorriso e sua cara fechada, muito quando me conta tudo e menos quando não conta nada. Eu gosto, aliás, eu amo quando você faz bico e gosto de você até quando implica comigo. Gosto quando saímos e também quando ficamos, gosto de você dormindo, gosto também de você acordando, gosto também quando você está andando. Acho que nunca se deu conta, mas sempre - de propósito - fico uns dois ou três passos atrás; só para te ver passar.


Enfim, gosto de você de todos os jeitos que você possa estar, mas ainda preciso encontrar mais alguma coisa que te faça acreditar nesse meu gostar.





P.s. Falando em acreditar, agora estou eu acreditando em fantasmas. Não necessáriamente esse fenômeno metafísico, mas em coisas que te assombram. Só espero que também esse tipo de fantasma se possa exorcizar.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Que estranho isso

Gostar de alguém é estranho.

Parece non-sense essa frase aí de cima né, gostar de alguém é estranho. Gostar é uma coisa boa, geralmente motiva as pessoas, as deixa felizes, de bem com a vida, energia renovada, humor positivo, astral em alta. Resumindo gostar de alguém deixa o outro feliz (claro que quando correspondido, mas o gostar não correspondido pode ser pauta para outra postagem, talvez).


Então por que gostar, mesmo quando correpondido, é estranho?

Estou a gostar de alguém, gostar muito, de verdade mesmo sabe? Sinto saudades logo assim que ela se vai, sou ultra feliz quando ela está comigo, passo o dia grudado no celular esperando um sms chegar, vivo olhando o facebook e o twitter em busca de atualizações dela, faço download de filmes e músicas que me façam lembrar dela... Enfim, tento fazê-la presente durante cada minuto do meu dia.

Até aqui tudo normal, acho que todo apaixonado não deve fazer muito diferente de mim e você, leitor, ainda deve estar se perguntando porque diabos esse maluco diz que gostar é estranho.


Gostar é estranho porque as vezes eu penso que não devia gostar tanto assim. Como já disse sou extremamente feliz ao gostar dela e isso me faz bem, mas eu lembro de como fiquei durante a curta e longa semana em que ela foi embora, em que ela estava com raiva de mim, disse que não queria me ver, rejeitou meu presente que ela tanto tinha gostado.


Ok, ok, foi causa minha a ação dessa reação, mas essa ação também causou reação em mim. Sabe, eu me senti completamente vazio por dentro, oco, só uma casca quando ela falou que não queria mais me ver e tudo estava acabado. Se já me sentia mau pelo meu ato, saber que não a veria mais elevou meu sofrimento a enésima potência, foi a pá de cal. Na minha bússola o norte se desfez e durante todo esse tempo eu só andava cabisbaixo procurando esse tão importante indicador de direção. Fiquei triste como nunca e voltei a ser o introvertido de sempre. Não queria falar com ninguém, olhar para ninguém, estar com ninguém... Se pudesse me agarrava ao winter e não faria mais nada. Mas a vida não nos espera e felizmente temos de acompanhá-la.


Já me perdi no assunto, pois queria dizer que é estranho gostar de alguém quando se pensa que esse alguém pode, a qualquer momento ir embora e transformar todo aquele brilho avivador em um buraco negro que só suga energias. Mas na verdade acho que o estranho sou eu, pois se você cuidar do seu sol, pode até ser que algum dia ele venha a brilhar menos ou até mesmo se apagar, mas com certeza nunca irá se transformar em um buraco negro.